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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

São Paulo terá três novos megatemplos religiosos

Por Renato Cavallera

SÃO PAULO - Com mais de 2 mil anos de história, os católicos abriram mão da estética tradicional das igrejas e vão abusar das curvas, placas metálicas e concreto para erguer em Interlagos, na zona sul, o novo santuário Mãe de Deus - Theotokos, em grego -, que receberá as missas do padre Marcelo Rossi. O modernismo contemporâneo, com a assinatura do arquiteto Ruy Ohtake, marca os novos ventos trazidos ao catolicismo pelos carismáticos.

Já os evangélicos da Universal do Reino de Deus, congregação com 31 anos de vida, seguiram caminho inverso. Foram buscar inspiração no passado, mais precisamente no século 11 antes de Cristo, para construir a nova sede mundial da igreja, na Avenida Celso Garcia, no Brás, região central. O novo prédio será uma réplica do Templo de Salomão, o primeiro templo de Jerusalém.

Em Santa Cecília, em um quarteirão colado ao bairro de Higienópolis, a nova sinagoga da Congregação Mekor Haim deve ser o maior centro de educação religiosa para judeus ortodoxos de São Paulo. Com seu estilo funcional, poderia passar por um prédio empresarial, não fossem os pilares de concreto na calçada para evitar carros-bomba e o topo em formato triangular.

Até 2010, representantes de católicos, evangélicos e judeus ortodoxos esperam ter finalizado os três templos, que seguramente farão parte da lista dos principais do Brasil, atraindo centenas de milhares de fiéis. O Santuário Mãe de Deus, por exemplo, terá capacidade para receber 100 mil pessoas, duas vezes mais do que a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo, e 30 vezes mais do que a Catedral da Sé.

O padre Marcelo Rossi afirma que o catolicismo precisa atualmente de religiosos que entendam a importância de reunir pessoas em um mesmo lugar para celebrar. “A fé se transmite e retransmite. Esse efeito do contágio, da emoção das grandes celebrações, deve ser levado em conta para o fortalecimento da fé”, diz.

Multidões de evangélicos também serão esperadas na Celso Garcia. Atualmente, a Igreja Universal já conta com um templo para 4 mil pessoas na região. A nova sede ficará poucos metros adiante, na mesma avenida, em um terreno de 23 mil metros quadros. Serão 12 andares, dois subsolos, com 64,5 mil m² de área construída.

No novo Templo de Salomão da Igreja Universal haverá um amplo salão com capacidade para 9.500 pessoas sentadas. O tamanho da romaria de fiéis, contudo, é imprevisível. A sede mundial da Igreja Pentecostal Deus É Amor, com mais 70 mil metros quadrados, também localizada na região do Brás, já chegou a receber 110 mil fiéis em um só dia.

Fonte: OESP
Via: Pavablog

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Novo presidente das Maldivas assume e enfrenta grandes desafios

MALDIVAS (4º) - Nesta terça-feira, 11, Mohamed Nasheed assume o governo das Maldivas, após ter derrotado o presidente Maumoon Abdul Gayoom, nas eleições do último dia 29 de outubro.

Em 1978, Maumoon Gayoom, hoje com 71 anos, instalou-se no poder, e, seguindo a linha de outros ditadores, tais como Fidel Castro, de Cuba, ou Robert Mugabe, do Zimbábue, fez de tudo para permanecer na liderança da nação. Seu governo totalizou 30 anos. Ele vinha tentando alterar a constituição para manter sua posição até sua morte, mas, em 2003, devido a protestos da população, Gayoom não teve outra opção a não ser iniciar algumas reformas democráticas.

Em 2005, autorizou a legalização de partidos políticos. Até o início de 2008, ele vinha recorrendo a emendas constitucionais e referendos para se perpetuar no poder, mas, em agosto, aceitou a entrada em vigor de uma nova Constituição, que permitiu a convocação de uma eleição.

Gayoom vinha sendo acusado de corrupção e de recolher para si ilegalmente 40 milhões do dinheiro liberado pelas Nações Unidas no incidente do tsunami.

Reviravolta no segundo turno

O primeiro turno das eleições ocorreu no dia 8 de outubro e, segundo as estatísticas, Gayoom foi para o segundo turno com grande vantagem. Mas uma reviravolta aconteceu e o opositor Mohamed Nasheed, 41 anos, venceu as eleições, que registraram uma participação de 86,5% da população. Gayoom obteve 45,79% dos votos contra 54,21% de Nasheed.

Nasheed, conhecido como Anni, é um ex-prisioneiro político comparado a Nelson Mandela. Ele permaneceu bom tempo preso e exilado. Nasheed prometeu transformar a república laica das Maldivas em uma genuína nação islâmica. A população é de 370.000 muçulmanos sunitas, disseminados em 1.192 ilhas.

As expectativas de mudança no país são grandes, apesar da falta de apoio que o novo presidente enfrentará ao assumir o governo (o partido de Gayoom tem a maioria de cadeiras no parlamento).

Desafios pela frente

Nasheed, que ganhou as eleições sob o slogan “A outra Maldivas”, enfatizando uma reforma econômica no país, terá de enfrentar muitos problemas, como uma alta densidade demográfica, alto desemprego entre jovens, o crime que tem aumentado, uma epidemia do uso de heroína (30.000 usuários), entre outros. Além disso, há a questão religiosa, com o extremismo representando uma ameaça real. Em setembro de 2007, 12 turistas foram feridos em um atentado a bomba. O “Partido Adhaalath”, considerado conservador religioso e que apoiou Nasheed no segundo turno, defende a pena de morte nos casos de apostasia. O partido já reivindica espaço no governo. Certamente o novo governante terá dificuldades de conciliar esses interesses com os dos jovens liberais atraídos pelo Partido Democrático Maldívio, pelo qual Nasheed foi eleito.

Repressão religiosa

A República das Maldivas é conhecida como um destino turístico, mas também é um local onde as pessoas sofrem repressão severa no que diz respeito à liberdade de expressão, de pensamento e de religião. É um dos poucos Estados – como a Arábia Saudita –, que permite somente a prática de uma religião e exige que todos os cidadãos sejam muçulmanos.

A prática de outras religiões, incluindo outras formas de islamismo diferentes do sunismo, é banida. O Estado consegue monitorar toda forma de expressão religiosa e tem poder para piorar as condições de vida da maioria da população.

Nenhum dos candidatos que concorreram à presidência da República se importava em melhorar as leis neste aspecto. A nova Constituição alega que o islamismo faz parte da cultura histórica dos nativos das Ilhas Maldivas. De acordo com o Artigo 9, os cidadãos que não forem muçulmanos vão perder a chance de viver em Maldivas. Isso preocupa a nação, uma vez que as pessoas que se converterem a outras religiões ou até mesmo os filhos de nativos casados com pessoas que não partilhem a mesma fé, correm o risco de perder a cidadania.

A situação piora quando aqueles que se opõem à religião do país acabam sendo presos e perdendo o emprego. Os emigrantes não têm coragem de declarar outra fé, e os trabalhadores imigrantes também precisam se adaptar à religião do país. Até material religioso, como livros, folhetos, programas de internet ou de rádio, são banidos quando encontrados pelo governo. As malas dos turistas também são revistadas a procura de artigos desse gênero. Até nas escolas, a religião ensinada é o islamismo. Casamentos são reconhecidos somente entre muçulmanos.

Com informações de EFE, AFP, The Economist e Minivan News


Tradução: Texto traduzido pela fonte



Missão Portas Abertas

domingo, 9 de novembro de 2008

Muçulmanos oram contra reconstrução de Igreja

INDONÉSIA (47º) - Mais de mil muçulmanos se reuniram e oraram na manhã de 26 de outubro para protestar contra a reconstrução da Igreja Cristã Protestante de Batak (HKBP) em Cinere, Depok, no oeste da província de Java. Eles exigiam que o governo local revogasse a permissão de reconstrução, e que demolisse o primeiro andar, já levantado.

O encontro de três horas aconteceu numa rua pública, a 50 metros de distância do local da construção.

Organizada pelo Fórum de Solidariedade Muçulmana de sete bairros do oeste de Java, o evento contou com cinco líderes muçulmanos que proferiam mensagens de ódio contra os cristãos. “Se o governo falhar em atender às nossas demandas, nós mesmos queimaremos as fundações da igreja”, disse um deles.

Homens e mulheres vieram de fóruns islâmicos e de várias organizações muçulmanas de toda Cinere, incluindo o grupo radical Frente dos Defensores Islâmicos. A Frente foi acusada pelo incidente de 1º de junho no Monumento Nacional, que feriu pelo menos 70 membros da Aliança Nacional pela Liberdade de Fé e Religião. Muitos membros da FPI foram presos.

Mais de 400 oficiais de polícia foram designados para cobrir o protesto. Apesar das provocações dos líderes, a multidão permaneceu passiva. Autoridades locais estavam na lista de convidados, incluindo o líder da vila, o responsável pelo sub-distrito de polícia e o chefe do distrito de polícia. Mas nenhum deles compareceu.

O primeiro protesto

O lugar da construção era uma propriedade que a HKBP comprou em 1992. Cinere, então, estava sob a administração da cidade de Bogor, a qual concedeu à HKBP permissão para construir. Em 1998, a fundação estava pronta, mas os vizinhos muçulmanos contestaram imediatamente.

“Nós suspeitávamos de que a permissão (para construir) não era legítima. A HKBP deve ter fornecido ao governo um número maior de membros apenas para conseguir a permissão,” disse o advogado da Equipe de Defensores Muçulmanos, Ahmad Mihdan.

Nesse ínterim, a administração de Cinere foi transferida de Bogor para Depok. O novo escritório bloqueou a construção da igreja com uma carta emitida em 2000, e a HKBP decidiu se submeter à decisão das autoridades.

No ano passado, a denominação tentou reconstruir a igreja com a permissão original da administração de Bogor. Porém, enfrentou protestos novamente. Cartazes foram espalhados pela vizinhança e no local da construção, rejeitando uma igreja numa comunidade muçulmana. “Tirar esses cartazes significa guerra”, disse um dos distribuidores dos cartazes em Cinere.

“Pedimos à administração de Depok que propicie um encontro entre a comunidade muçulmana e o comitê de construção da HKBP”, disse o advogado Mihdan, que estava presente no evento do último domingo. O Fórum de Harmonia Inter-religioso está estudando o caso e irá enviar ao governo local suas recomendações.


Tradução: Cláudia Krüger



Missão Portas Abertas

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Falta de unidade limita crescimento eleitoral dos evangélicos

O crescente número de evangélicos registrado nos últimos anos faz do segmento um atraente nicho de potenciais eleitores. De 1940 a 2000, passaram de 2,6% para 15,4% da população brasileira. Hoje, são cerca de 30 milhões de fiéis em todo o país. Por outro lado, rejeição por parte de setores laicos ou ligados a outras religiões e falta de unidade entre as igrejas têm limitado o poder político do rebanho.

Nessas eleições municipais, a representatividade política da Convenção Geral das Assembléias de Deus (CGADB) apresentou queda de quase 9% em relação ao resultado obtido em 2004. A igreja possui aproximadamente 8,5 milhões de fiéis, segundo dados do IBGE no Censo 2000, o que faz dela a mais numerosa do país, com 28% de todos os evangélicos do país. No pleito de 2004, a CGADB emplacou 1.080 vereadores. Este ano, dos 1.400 nomes lançados, 920 foram eleitos.

O presidente do Conselho Político da CGADB, pastor Ronaldo Fonseca, acredita que não há motivos para preocupação. Para ele, a variação é leve e natural, fruto de um acaso derivado do quociente partidário - que representa o número de vagas que cada partido ocupará, resultado da divisão entre o número total de votos obtidos e de vagas destinadas ao cargo em questão. “Nosso trabalho nessas eleições aumentou. Essa queda é pequena e não muda nada”, avalia.

Apesar de não ser tão significativo, o número representa o descompasso que o segmento vive. O número de fiéis aumenta, mas a penetração política não. O surgimento de igrejas evangélicas com orientações diversas e sem articulação entre si é apontado como um obstáculo para a coordenação do poder de eleição dos fiéis.

“Cresceu bastante o número de igrejas, mas é muito fragmentado. No segmento católico, é bem mais fácil articular, pois é uma única igreja. Nós temos inúmeras denominações, cada uma com um líder”, explica o deputado João Campos (PSDB-GO), presidente da Frente Parlamentar Evangélica no Congresso.

As facilidades para abrir uma nova igreja evangélica e a ausência de normas rígidas de controle são motivos de fragmentação das vertentes políticas de cada denominação. O pastor Celso Carbonara, de uma congregação da Assembléia de Deus em Brasília, admite a independência. “Não é como abrir um McDonald’s, que toda loja tem que seguir um padrão. É como abrir uma empresa, pode usar o nome sem autorização da matriz”, relata.

João Campos justifica, assim, a dificuldade para obtenção de dados concretos sobre a influência política dos evangélicos. Até o momento, a frente desconhece o número de candidatos eleitos apoiados pelas igrejas este ano e, mesmo, nas eleições passadas. No entanto, o deputado acredita que a diversificação deve ser encarada com otimismo.

(Fonte: Jornale Curitiba)

No exílio, somalis cristãos são alvo de compatriotas


SOMÁLIA (12º) - Nur Mohamed Hassa é um dos somais refugiados, em Nairóbi, capital do Quênia, sob asilo do Alto Comissariado da ONU para Refugiados.

Apesar da proteção, sua casa foi invadida por cinco muçulmanos que agrediram sua família e ele.

“No dia 14 de outubro, cinco muçulmanos entraram na minha casa por volta das 22 horas e nos obrigou a sair depois de nos terem agredido”, Mohammed Hassan contou, acrescentando que o mais novo de seus oito filhos tem uma doença no fígado.

“Graças a Deus a polícia chegou imediatamente e salvou nossas vidas. Há dois dias estamos dormindo fora de casa, no frio. A polícia tem nos protegido, mas eu quero saber até quando isso vai continuar.”

Atualmente, Nur vive em Eastliegh, Nairóbi, com sua esposa e seus filhos. Ele fugiu de Mogadíscio depois que os muçulmanos assassinaram sua irmã, Mariam Mohammed Hassan, em 2005, supostamente porque ela distribuía Bíblias na capital.

“Nossa situação não é melhor do que a de nossos irmãos na Somália, que têm sido mortos como cães quando se descobre que são cristãos”, contou Nur. “Não estamos a salvo aqui em Eastleigh. Os muçulmanos mataram minha irmã em Mogadíscio e agora planejam matar minha família e eu.”

Ele disse que, nos últimos três anos em Nairóbi, ele tem sofrido muitos reveses nas mãos de outros imigrantes somalis.

“Sem dúvida, a situação dos ex-muçulmanos no Quênia e na Somália é desastrosa e horrível – estamos arriscando nossas vidas por escolher seguir Cristo”, afirmou. “Minha família está em perigo. Sem paz, sem segurança. Temos falta de coisas básicas do dia-a-dia.”

A Somália é um dos países mais perigosos no mundo, e está sujeita a homens-bomba, piratas e rotineiras violações dos direitos humanos. Os militantes islâmicos são contra as intervenções de tropas estrangeiras, especialmente as da vizinha Etiópia.

Os cristãos e qualquer pessoa que simpatize com os ideais do ocidente viram alvo dos radicais. Agentes humanitários estrangeiros ficaram especialmente vulneráveis neste ano.

Grupos de ajuda contabilizaram a morte de 24 agentes em mais de cem ataques, conforme as agências humanitárias. Vinte deles eram somalis.
Em sua estratégia para desestabilizar o governo, os militantes atacam grupos humanitários. A ONU estima que 3,2 milhões de somalis (praticamente um terço da população) dependem dessa ajuda.

Clérigos islâmicos somalis, como Ahlsunna Waljamea condenam o assassinato de agentes humanitários na Somália.



Tradução: Claudia Skobelkin



Fonte: Compass Direct

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Líder cristão compartilha sua experiência de 40 anos de ministério em favelas cariocas

“Fico perplexo ao ver igrejas grandes, em favelas também grandes, sem um mísero curso de alfabetização. Pregar a palavra, sim, mas é preciso entender a importância de também salvar a vida, além da alma. Nesse sentido, ação social é fundamental”. A opinião é do pastor e psicólogo Macéias Nunes que, há 40 anos, lidera igrejas localizadas em favelas cariocas. Atualmente, ele atua na Igreja Batista do Leme, no morro do Chapéu Mangueira, na Zona Sul carioca. Numa entrevista à Agência Soma publicada originalmente pela Revista Palavra de Paz, e reproduzida a seguir na íntegra, o líder compartilha outras de suas experiências.

Há quanto tempo você trabalha em ministérios dentro de comunidades carentes?
Pr. Macéias- Há 40 anos. Vim para o Rio de Janeiro com 7 anos de idade e fui morar no Jacarezinho com minha mãe e meus oito irmãos. Residimos quinze anos lá. Mudamos depois para Maria da Graça, mas nunca deixei de estar ligado à favela. Fui seminarista no Jacarezinho, pastor no Morro dos Prazeres, em Santa Tereza, pastor de novo no Jacarezinho, onde também presidi a Associação Evangélica, trabalhei como missionário na Favela Bandeira Dois, em Del Castilho, e pastoreio há 10 anos a Igreja Batista do Leme, nas comunidades de Chapéu Mangueira e Babilônia.

Com toda essa experiência sobre favela, o que você acha importante destacar sobre o assunto?
Pr. Macéias- Para mim, favela não devia existir. Se é certo que ela é a única opção de moradia para o verdadeiro carente, que realmente não tem onde morar, é certo também que a favela é o gueto da subcidadania. O favelado não é um cidadão completo, a começar pelo fato de não possuir o registro de propriedade de sua casa. No bairro, para entrar em um domicílio qualquer, a polícia precisa de um mandado judicial. Na favela, não. Ela chega atirando, arrombando portas de bandidos e trabalhadores, agindo, enfim, como se ali todos fossem delinqüentes.

A solução, então, seria acabar com as favelas?
Pr. Macéias- Sem dúvida que sim. Em geral, certos políticos não pensam assim, por motivos eleitorais. O favelado é um bom cliente dos favores eventuais deste ou daquele candidato e, nesse sentido, um voto garantido. Do ponto de vista operacional, não é fácil remover favelas. Era preciso começar com as menores, em especial as que estão à beira de rios. Também não adianta criar imensos núcleos habitacionais com ex-favelados. Daqui a pouco, aquilo vira favela de novo. É preciso criar núcleos menores, com condução para os locais de trabalho e todos os serviços disponíveis para um bairro normal da cidade.

Nesse seu tempo de pastor em favelas, como tem sido a relação com o banditismo?
Pr. Macéias- Afora um ou outro episódio mais dramático, nossas relações são respeitosas. Minha tese é a seguinte: ainda que eu veja o homem ou a mulher armados em plena rua, ou mesmo vendendo drogas, para mim ele é um cidadão como qualquer outro. Não sou eu que tenho que prendê-lo. Para isso existe o poder público. Suponhamos que eu ou qualquer outro cidadão denunciemos os traficantes: eles serão presos, um advogado bem pago os soltará em pouco tempo, ou até mesmo um delegado qualquer receberá uma boa quantia para soltá-los e nós, que prestamos um bom serviço à sociedade, iremos morar no cemitério mais próximo.

Mas isso não significa ser conivente com o crime?
Pr. Macéias- Não. Primeiro porque não os apoiamos financiando seu negócio maligno. Não compramos drogas. Quem financia bandido é quem compra o que eles vendem. Em geral, as classes média e alta. Também não legitimamos seu poder paralelo. Minha orientação pastoral aos membros de nossa igreja é que jamais, em hipótese alguma, peçam favor a bandido. Se você recebe uma merrequinha qualquer de bandido para comprar um analgésico, ele se sentirá o dono do morro e também no direito de exigir que você esconda armas ou drogas em sua casa. Seu poder estará legitimado. Isso se estende a outras áreas, como resolução de conflitos familiares ou habitacionais. Além do mais, eu denuncio, em minhas pregações, o tráfico de drogas e a delinqüência em geral. Prego para eles nos becos e nas casas. Sou respeitado porque não compactuo com eles, mas os respeito como pessoas. São pecadores como quaisquer ou-tros. Aliás, sabemos que em matéria de pecado, os poderosos das altas esferas da República têm uma conta muito maior a pagar com Deus do que os delinqüentes criminais.

Mencione algumas experiências difíceis que você, como pastor, viveu em seu ministério nas favelas.
Pr. Macéias- No Jacarezinho, bandidos me ameaçaram de morte por entenderem que eu estava discriminando pessoas no programa do leite, o que não era verdade. Na Bandeira Dois, o chefe do tráfico proibiu minha entrada porque minha pregação estava atrapalhando seus negócios. Depois se arrependeu e me pediu perdão. Há vários outros episódios, mas o que mais me dói é ver garotos de 18, 20 anos, que cresceram em famílias crentes, sendo mortos em confrontos com outros bandidos ou com a polícia. Já perdi a conta. Alguns desses casos relato em meu livro “Favela Violenta”.

Nesse contexto tão complicado, qual deve ser o papel da igreja?
Pr. Macéias- Antes de tudo, pregar a palavra. O poeta Drummond dizia que lutar com a palavra é a luta mais vã, mas lutar com a Palavra de Deus é garantia de eficácia na transformação de vidas. Tenho visto muitas conversões de bandidos, pais de santo, prostitutas e, num milagre ainda maior, de pessoas bem postas na sociedade, bons cidadãos, cumpridores de seus deveres, mas que são tão pecadores – ou até mais – quanto os marginalizados da vida. Pregar a palavra, sim, mas entender que é preciso salvar a vida, além da alma. Nesse sentido, ação social é fundamental. Fico perplexo ao ver igrejas grandes, em favelas também grandes, igrejas estas sem um mísero curso de alfabetização ou coisa parecida. Pela graça de Deus, na Igreja Batista do Leme, sem contarmos com recursos financeiros, Deus tem nos ajudado a manter uma forte estrutura de ação social, com um grande número de projetos. Pessoas de outras regiões têm vindo até nós para aprender sobre o tema. Igreja de favela sem projeto de ação social é um contra-senso. Só o Cheque-Cidadão, que muitos criticaram como assistencialista, distribuímos durante sete anos. Mantemos há 11 anos uma creche comunitária. Temos curso de informática, de reciclagem e artesanato, bazar comunitário e cursos supletivos de primeiro e segundo graus. Não temos dinheiro, apenas visão. Os recursos, Deus envia. Ele é fiel. (Macéias Nunes foi entrevistado por Lenildo Medeiros)

Soldado que protegia cristãos em Orissa é assassinado


ÍNDIA (30º) - No dia 13 de outubro, um soldado paramilitar designado para proteger cristãos da violência em Kandhamal, Estado de Orissa, foi golpeado e assassinado por uma quadrilha na vila de Sisapanga.

O corpo do soldado da Reserva da Força Policia Central (RFPC) foi encontrado em uma floresta próxima à vila. Acredita-se que ele tenha sido morto a golpes pelos aldeões durante a maior onda de violência contra os cristãos da História recente da Índia.

“A polícia descobriu o corpo na noite da segunda-feira, dia 13 – o soldado tinha feridas no torso e na cabeça”, disse o superintendente de polícia do distrito, Praveen Kumar.

“Aparentemente, ele foi espancado com porretes e morto por um objeto pontiagudo”. A vila de Sisapanga está sob a jurisdição da polícia de Raika.

Segundo Praveen, enquanto um dos homens conseguiu escapar sem ferimentos, o outro foi morto durante o ataque.

“O soldado foi a Sisapanga acompanhado de um motorista para comprar mantimentos. Um grupo de seis ou sete homens o atacou pelas costas, levou-o até a floresta e o golpeou até a morte”, disse Praveen ao jornal The Times of India (TOI). “O motorista teve a sorte de escapar.”

É a primeira vez que alguém da força de segurança do país é alvo da violência em Orissa.

“O assassinato do jawan (soldado) da RFPC acontece no momento em que os pedidos de retirada da força paramilitar começam”, disse um representante da polícia ao TOI. “A RFPC prendeu muitas pessoas, a maioria delas pertencente a tribos, nas últimas duas semanas.”

Uma fonte do local que prefere permanecer anônima disse ao Compass que os agressores avisaram às autoridades, através da mídia, que matariam mais soldados da RFPC se as forças não retrocedessem.

Promessas

No dia 11 de outubro, em meio a várias promessas de proteção por parte do governo, uma quadrilha derrubou um edifício da Igreja do Norte da Índia, na vila de Sikuli, no distrito de Kalahandi. No mesmo dia, o grupo queimou duas casas de cristãos na vila.

Duas mulheres que tiveram suas casas incendiadas por extremistas hindus acabaram morrendo. Minakshi Pradhan, de 22 anos, contraiu malária e tifóide depois de fugir para um campo de refugiados, foi admitida ao hospital MKCG Berhampu aonde veio a falecer no dia 16 de outubro.

“Minakshi deixou um filho de quatro anos”, disse uma testemunha que prefere permanecer no anonimato. Minakshi e seu esposo Anand Pradhan, que sobreviveu ao evento, eram da vila de Murudipanga.

A outra mulher, Mili Pradhan, foi diagnosticada com um tumor no estômago depois de sua casa ter sido incendiada no dia 29 de agosto e ela e o marido terem de fugir para Berhampur. Em meio à operação, os médicos diagnosticaram leucemia, e ela morreu no mesmo hospital de Minaksho no dia 15 de outubro. Mili deixa uma filha de 18 meses.

O Ministro-Chefe de Orissa, Naveen Patnaik, disse em uma entrevista ao canal NDTV de televisão que metade das mil pessoas presas no Estado por causa dos motins pertence aos grupos extremistas hindus Bajrang Dal e Vishwa Hindu Parishad (VHP). Naveen acrescentou que considera o Bajrang Dal um grupo fundamentalista.

Em reação, Subash Chouhan, co-coordenador nacional do Bajrang Dal, disse, “o fundamentalista na verdade é Naveen Patnaik, e não o Bajrang Dal. O ministro está tentando mostrar seu caráter secular, tentando implementar os interesses das organizações cristãs”.

A polícia de Orissa prendeu um dos “mais procurados” dos motins anticristãos do distrito de Kandhmal.

Segundo notícias, Manoj Pradhan, um líder tribal chave, foi preso em um apartamento em Berhampur na noite de 15 de outubro.

“Enquanto investigamos o caso, estamos descobrindo que é um dos mais complicados que já tivemos”, disse o inspetor-geral de polícia, Arun Ray, à mídia. “Identificamos os autores dos crimes, prendemos pessoas e prenderemos outras”.


Tradução: Priscilla Figueiredo



Fonte: Compass Direct

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Ataques podem ter sido motivados por protesto de cristãos

IRAQUE (21º) - Não se pode dizer o que está por trás dos ataques que os cristãos sofreram em Mosul, onde as tropas iraquianas e americanas têm conduzido operações contra o grupo militante sunita al-Qaeda. Os ataques contra os cristãos acontecem logo depois de uma câmara legislativa iraquiana votar pela retirada de uma cláusula na sua nova lei eleitoral da província, o artigo 50.

Esse artigo protege os direitos das minorias, garantindo-lhes um representante nos conselhos da província. A mudança nessa lei, ocorrida no começo de outubro, levou os cristãos de Mosul a protestar. Acredita-se que os tais protestos tenham motivado os ataques contra a comunidade cristã. No encontro que os líderes da comunidade cristã tiveram com o primeiro-ministro Nuri al-Maliki, pediu-se que o Artigo 50 fosse restaurado.

Al-Maliki afirmou aos líderes cristãos que ele mencionaria esse caso na próxima reunião do Parlamento. Ainda que se recusem em relacionar os ataques aos protestos, o padre Basher Warda disse à agência de notícias Compass que achou que os ataques foram coordenados. “Pode até ser coincidência, ou talvez seja um momento oportuno para a violência”, disse Basher. “Mas, independentemente do motivo, me parece que existia um plano para essa violência vir à tona.

Não podemos afirmar que é só coincidência, pois tudo aconteceu muito rapidamente.” Bahser disse que varrer os cristãos de Mosul é “uma tarefa colossal”.
“Estamos falando de 1.700 famílias que tiveram que fugir em 9 dias”, afirma. Devido aos ataques contra igrejas e indivíduos, cristãos do Iraque tiveram de fugiram para as cidades próximas, abandonando seus negócios e suas casas.

Alguns dos refugiados de Mosul pediram abrigo tanto na Turquia quanto na Síria. Mas são as pequenas e despreparadas aldeias que cercam a cidade que têm recebido a maior parte dos fugitivos segundo Basher. O interesse principal dos líderes da Igreja, nesse momento, é o retorno dos que fugiram.
“[Mosul é] parte da história deles, da sua herança e lembranças. Temos de fazer algo”, disse Basher. Aqueles com os quais conversou tinham muito medo de voltar para suas casas e não sabem se podem confiar na proteção do governo.

Quando foi perguntado sobre a possibilidade de Mosul perder toda a população cristã, Basher respondeu: “Não quero pensar nisso, pois seria uma tragédia para todo o povo. As escolhas são limitadas. A minha preocupação agora é com os cristãos que estão abandonando a cidade”.
Apesar de otimista em relação à situação da comunidade cristã de Mosul, o bispo auxiliar da Igreja Caldeia de Bagdá, Shlemon Warduni, não hesitou em criticar o que ele considera “silêncio” da comunidade internacional sobre os direitos humanos da comunidade cristã no Iraque.

“Quero dizer ao primeiro mundo que, desde o princípio, ninguém falou nada. Ninguém está falando sobre os direitos dos cristãos e das minorias no Iraque. Estamos esperando apoio do exterior, pelo menos como seres humanos, não só como cristãos”, diz Shlemon.


Tradução: Claudia Skobelkin

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Ameaças contra pastor afeta igreja

PAQUISTÃO (15º) - A polícia prendeu e espancou um jovem cristão que estava visitando a casa do pastor para receber oração. O pastor em questão, Christopher Manzer, sem sido vítima de freqüente opressão na cidade de Lahore. Em 9 de outubro, a polícia prendeu Javed Masih, um motorista de entregas de 22 anos e um importante membro da congregação do pastor Christopher, quando ele estava deixando a casa de Christopher.

O pastor já havia fugido depois de receber um telefonema o avisando da chegada da polícia. A polícia atacou Christopher cinco vezes entre abril e julho. Esse pastor da Igreja Pentecostal dos Discípulos de Jesus recebeu recentemente ameaças de morte. Quando Javed estava deixando a casa de Christopher, a polícia se aproximou dele, perguntou se era o pastor Christopher e o prendeu. Christopher foi procurar por Javed nas delegacias, mas não o encontrou.

No domingo, 12 de outubro, a família de Javed soube que ele tinha sido levado para a Agência de Investigação Criminal de Ichhra, no centro de Lahore. As autoridades mantiveram Javed lá por três dias, em uma pequena sala com 32 outros homens, e o espancaram antes de permitir que ele fizesse uma ligação telefônica. “Eles me espancaram com pedaços de madeira”, disse Javed. A polícia manteve Javed até as 23 horas de 14 de outubro.

De acordo com a equipe do grupo de direitos humanos Ministério Compartilhando Vida no Paquistão (SLMP), Javed foi detido ilegalmente e sem nenhum registro oficial. Ele foi liberado depois que sua família e Christopher pagaram uma propina de 15 mil rúpias (185 dólares). O pastor e a equipe do SLMP acreditam que o homem que está instigando os ataques é Mohammad Nawaz, que abriu um caso na corte contra Christopher, Javed e outros sete, os acusando de seqüestrar sua mulher, Sana Bibi (leia mais).

Difamação contínua Existem inúmeras acusações pendentes contra Christopher e os membros de sua congregação baseadas em fatos falsificados e apresentados por amigos de Mohammad. Caso essas acusações se tornem oficiais através de um boletim de ocorrência, cada um deles deverá requerer pagamento de fiança pré-prisão dos acusados. Tanto Christopher quanto Shahzad Kamran, do SLMP, expressaram suas preocupações com a corrupção da polícia, que continua fazendo prisões para receber propinas para liberar os presos.

De acordo com Peter Jacob, um advogado da Comissão Nacional para Justiça e Paz, estes assuntos são superáveis “Existe um problema de corrupção e influência na polícia, uma questão de comportamento não profissional”, disse Jacob. “No geral, se as alegações são falsas... existe a possibilidade de reparação usando a corrupção”. Shahzad disse que ele acredita que Christopher se beneficiaria caso se apresentasse ao inspetor geral, que tem autoridade sobre todas as delegacias, para explicar a ele todo o caso.

“Ele pode tomar uma decisão e enviar um relatório para todas as delegacias, informando que o pastor é inocente, assim todas as queixas serão canceladas”, disse Shahzad. Shahzad e Christopher disseram que eles planejam levar o caso ao inspetor geral na próxima semana. Apesar dessas dificuldades, Christopher permanece com esperança, crendo que o caso será decidido em seu favor. A corte autenticou os documentos de divórcio de Sana e Mohammad, que serão usados como provas de que Sana não foi seqüestrada. Este é um passo crucial na defesa de Christopher, Javed e dos outros sete acusados.

Tradução: Cláudia Veloso
Fonte: Compass Direct

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Cresce número de famintos no mundo, apesar da capacidade produtiva

O mundo tem capacidade de produzir alimento para 12 bilhões de pessoas, o dobro da população atual. Ainda assim, o número de pessoas que passam fome subiu de 850 milhões para 925 milhões em 2008, anunciou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Mulheres e homens da Via Campesina, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) saíram às ruas na quinta-feira, 16, Dia Internacional em Defesa da Soberania Alimentar, para reivindicar do governo federal reforma agrária, incentivo à agricultura familiar, políticas públicas para infra-estrutura e assistência técnica em assentamentos e pequenas propriedades, que produzem 70% da cesta básica brasileira.

Via Campesina e MST promoveram manifestações em 12 Estados – Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Maranhão, Ceará e Mato Grosso.

A cesta básica do brasileiro, calcula o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cobra 52,8% do salário mínimo. A especulação financeira, denunciam o MST e a Via Campesina, são responsáveis pela elevação do preço dos alimentos.

Produtos agrícolas são vendidos a seis ou sete vezes mais caros nas bolsas, explicou Egídio Brunetto, da coordenação da Via Campesina. O preço dos principais grãos, como o milho, o arroz e a soja, duplicou de 2006 até hoje. O feijão subiu 168%.

“As grandes transnacionais do agronegócio comemoram a cada mês seus lucros recordes”, diz o MST em manifesto à população. Cerca de 30 empresas, com sede nos Estados Unidos e na Europa, controlam quase toda a produção e comércio agrícola no mundo.

“Não existe uma crise de produção, o que existe é uma especulação financeira sobre o preço dos alimentos”, arrola o MST. O movimento questionou o governo brasileiro, que anuncia “diariamente novos incentivos ao agronegócio, libera créditos, perdoa dívidas”, enquanto a agricultura familiar não recebe os devidos investimentos do Estado.

Fonte: ALC

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